domingo, 19 de novembro de 2017

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Uma REFORMA que ainda não terminou
Imagem retirada da Internet
Como Protestante, não poderia deixar passar em claro aqui no "Palavras Sem Jeito", hoje, os 500 anos, das 95 teses que Martinho Lutero colocou na Porta da Igreja de Wittenberg.

Era o confirmar de um Movimento de Reforma na Igreja, que ainda hoje não está completo.
A Reforma ainda não terminou. Só terminará quando a palavra, sem contornos se basear unicamente  na  sola scriptura.

domingo, 22 de outubro de 2017

VENHAM VIVER PARA O INTERIOR DE PORTUGAL
Foto: Samuel R. Patrocínio


 O que tem acontecido em Portugal nos últimos temos é demasiadamente mau , para que tenha vontade de escrever sobre o tema. 

Naturalmente que me estou a referir à incapacidade do Estado Português, em fazer a defesa dos seus cidadãos. 

As discussões já são mais que muitas, algumas ilações políticas já foram tiradas, medidas apressadas foram tomadas, e toda a gente espera que no próximo ano, nada de igual se venha a repetir.

Muito se tem falado da incompetência do governo. Que existiu; do desordenamento florestal. Que existe; e de muitas outras coisas que são verdade.  

Infelizmente não tenho ouvido falar muito da existência de duas realidades díspares de um Portugal dividido em dois longitudinalmente. O Interior e o Litoral.

Politicamente o Portugal Interior, não conta para Lisboa. Não tem gente, não tem votos. Não tem votos, não influência as dinâmicas políticas. Então podem-se fechar escolas, postos dos correios, centros de saúde, etc, etc, etc.

Dou o Exemplo do Distrito de Beja. Apenas e só o maior distrito de Portugal, que se estende transversalmente da fronteira com Espanha ao Atlântico. Sabem quantos deputados elege?

Eu digo. 

Três, sim leu bem (3) três deputados.

O distrito de Évora, elege igualmente três deputados e o distrito de Portalegre, dois deputado. 

Vamos a contas, um terço (1/3) do país elege 8 (oito) deputados em 230 (duzentos e trinta). Que força política têm estes homens e mulheres nos seus partidos e no conjunto do parlamento?

O mesmo acontece com os restantes distritos do interior. 70 a 80% do território português não deverá valer mais do que 30% do peso político nacional. 

Sem peso político,  não há pressão. Não há pressão, não há investimentos. Não há investimentos . Há cada vez menos gente. Foi-se esvaziando o país. As aldeias estão na sua maioria desertas e a população que vai resistindo, dois terço, são idosos.

Menos gente, menos peso político, menos massa de reivindicação, em suma , esquecimento político. Em suma das sumas Portugueses de segunda ou de terceira, ou de quarta, enfim….

Estas tragédias apenas vieram confirmar o abandono que há muito começou para com as populações do Interior do país.

Voltando ao distrito de Beja, e colocando a situação no meu caso particular. Todos os dias faço 55 Km para ir trabalhar (ir e vir, 110km). Todos os dias tenho de ir de carro. Todos os meses gasto uma fortuna em combustíveis.  Perguntam-me vocês? e porque se está a lamentar? vá de transportes públicos, fica mais barato. E têm razão. Mas a vossa razão é igual ao desconhecimento da realidade do Interior do país. Não tenho alternativa. Não há transportes públicos, nem mesmo a designada "carreira”. Absolutamente nada.

E vejam a injustiça dos políticos deste país. Os Habitantes das áreas metropolitanas, que utilizam os transportes públicos, têm o direito a deduzir no E-fatura , um determinado valor. Não interessa o montante. 

Interessa apenas a igualdade de critérios. Porque razão os habitantes do interior do país onde manifestamente se verifique não existir transportes públicos, não têm o mesmo direito sobre os combustíveis gastos. Nem que isso representasse apenas, cêntimos. Por aqui se vê os portugueses de primeira e de segunda.

Para os muitos do Litoral que argumentam que é bom viver no Interior, façam um favor ao país, venham viver para o Interior, que o Interior está de braços abertos para vos receber… não sei é se resistirão após a primeira necessidade de se deslocarem a um hospital. Dou o exemplo  da população de Barrancos, que tem de andar mais de 120km (ir e vir, 240km), para ir ao hospital de Beja.

Venham viver para o Interior, o Alentejo e o Interior do país espera-vos. Uma coisa é a realidade diária, outra bem diferente é o romantismo de um fim de semana.

Quanto aos políticos, e como bem diz o Presidente da República, está na altura de conhecerem realmente o país que governam. 

Não fora a tenacidade e irreverência dos autarcas do Interior e há muito que Portugal se resumiria à faixa Litoral, para apanhar sol e tomar um banhinho de mar.

domingo, 8 de outubro de 2017

FORAM ABANDONADOS PELO ESTADO E ROUBADOS

 A Imagem de ilustração não é da Revista Sábado. É uma velha imagem que muita gente conhece.

A minha resposta a um comentário ignóbil, publicado numa rede social por uma cidadã, sobre uma matéria da Revista “Sábado”, e que reflecte ainda o sentir de muitos portugueses sobre os designados “Retornados” da Descolonização.
 
A minha resposta:
“Cara (….), Sabe, tanto é ladrão o que vai à vinha como o que fica a espreitar. Por outras palavras, todos os portugueses são culpados. Os de cá armam-se em santinhos, mas usufruíam dos produtos que vinham de lá... E, sim, houve portugueses que claramente escravizaram os locais, mas a grande maioria não o fez. FORAM ABANDONADOS PELO ESTADO E ROUBADOS. Contra factos não há argumentos, goste ou não?
(Comentário que tem tido um bom apoio dos Portugueses.) 


Já agora sobre o termo “Retornado”, uma breve reflexão hipotética.

Portugueses da Madeira e dos Açores, se um dia estas ilhas se tornarem independentes e se nasceram no Continente serão “Retornados”. Espanhóis da Catalunha, se a Catalunha se tornar independente, sereis “Retornados”.
“Retornados “ do quê? De territórios que faziam parte de um mesmo  território.
Ah... e não se esqueçam que se for como o governo de então, serão "expulsos" como “uma mão à frente e outra atrás”. 

A Estupidez  e Ignorância tem limites, já passaram 4 décadas, para esta gente mesquinha ter tido tempo de ver a verdade. 

Mas há sempre gente que gosta de ser Mula. Mula no sentido de andar sempre à volta da nora sem sair do mesmo lugar, julgando que percorreu um grande caminho, mas os entrolhos, impedem que veja a realidade. Continuem em roda da nora.


domingo, 1 de outubro de 2017



Hoje é dia de Eleições Autárquicas em Portugal. Mas, não é sobre isso que quero falar. Naturalmente que me interessam os resultados, mas interessa-me principalmente o nível de abstenção, porque irá dizer muito da confiança que os portugueses têm nos políticos.

Quero falar, de um outro tipo de eleição. 

Quero falar do referendo na Catalunha. 

Quero falar do confirmar que o país Espanha, não existe. Na Península Ibérica apenas existe um país. E esse país é Portugal. Depois existe um conjunto de Nações, lideradas ou subjugadas por Madrid, a que se dá o nome de Espanha.

A Catalunha há muito que vem dando conta que quer a sua independência de Madrid, ou se preferirem de Castela. Nem me vou reportar a tempos mais idos, como em 1640, quando Portugal conseguiu a restauração da sua independência frente a Castela, graças também ao posicionamento da força militar de Castela, na Catalunha, que ambicionava também o mesmo desígnio. Portugal conseguiu quebrar as amarras de Castela. A Catalunha não.

Hoje os Catalães, apesar dos esforços brutais de Madrid, com coragem vieram para as ruas e estão a referendar a sua saída de Espanha, recebendo as forças policiais com cravos vermelhos, como eles próprios dizem, inspirados no fim da ditadura em Portugal, numa similitude de significados.

Espanha, um país que se diz democrático, não respeitou a autonomia catalã, e tem tentado por tudo impedir o referendo. Impedir a voz do povo. Madrid sabe, que se a Catalunha deixar o Estado Espanhol, toda a Espanha lentamente se vai desmembrar. A Europa sabe, que se a Catalunha se tornar independe, muitos outros povos na Europa tentarão também a sua sorte.

Aparentemente numa União Europeia sem fronteiras, a separação de estados não tem sido, mas a história e as raízes, por muito que o tempo passe não se apagam.

Não sei como toda esta história vai acabar. Para já a autoridade de Madrid foi claramente posta em causa, como até aqui nos últimos tempos nunca tinha sido. Julgo que já nada mais poderá ficar igual.

Conseguirá Madrid, manter a Catalunha contra a vontade de um povo?

Não pugno pelo desmembramento de Espanha. Sou pela vontade dos povos. Se o povo da Catalunha, quer ser independente e tornar-se um país, historicamente, merece-o. 

Hoje sou Catalão.

 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A História ainda não acabou… Presidente João Lourenço.
 


Devido a uma série de situações, não me tem sido possível, com a frequência que desejava “alimentar” o Palavras Sem Jeito. Também não prometo a regularidade, com que nos últimos tempos o fazia. Veremos.

Apesar de tudo queria fazer aqui uma, breve resenha pessoal das últimas eleições em Angola, e tomada de Posse do Presidente João Lourenço. 

Fica antes de mais a informação, que Luanda, foi a terra que me viu nascer e por lá vivi durante 4 antes. Depois… bem depois todos sabem, fui “chutado” de todos os meus direitos enquanto Angolano e enviado para Portugal. Por outras palavras, sou mais um refugiado, mas um refugiado que hoje tem muito orgulho em ser Português, mas também orgulho em ter nascido em Angola. 

Obrigaram-me à força a vir para Portugal, sem que nunca alguma vez me tivesse perguntado, se queria ser Português ou Angolano, isto já para não falar do violento roubo que fizeram aos meus pais, deixando-os sem nada, só porque eram portugueses e viviam em Angola. Aplicou-se a política do posso e mando, e muito portugueses ainda aplaudiram, apenas pela inveja de que outros pudessem vir a ter mais posses do que eles. 

Posso com toda a propriedade dizer que me roubaram do ponto de visto material tudo, absolutamente tudo e ainda a nacionalidade. Obrigaram os meus pais a começar literalmente do zero. E, mesmo assim, deram grandes lições aos portugueses que acusavam os seus conterrâneos de viverem à custa “do roubo dos negros”. E o sucesso de cá deveu-se ao sucesso do “roubo do brancos”. Lá como cá o sucesso deveu-se a muito trabalho e determinação.

Colocando esta situação à parte, e das observações e informações que vou tendo hoje de Angola, permite-me dizer que a Democracia, tal como a conhecemos em Portugal ainda fica muito longe, completamente a milhas,  daquilo que é o pensamento político Angola.
Assim, e apesar de tudo pareceu-me que para Angola, neste momento,  o candidato do MPLA, João Lourenço, seria ainda o melhor que se conseguia arranjar.

Parece-me que pode quebrar com a força emblemática de Eduardo dos Santos, e permitir pela pressão popular, que se crie um clima em Angola, em que a Democracia apesar de frágil e completamente incipiente, rodeada de ladrões,  possa, quero acreditar, ir ganhando enraizamento.

Na segunda parte deste mesmo texto, quero reportar-me ao facto de João Lourenço, não ter incluído Portugal como um país fundamental para Angola, quando sabe que Portugal é mais do que “fundamentalíssimo”, para Angola.

A sobranceria, orgulho e estupidez fê-lo cometer este grave erro. Esquece João Lourenço, que ainda um dia há-de sair da Presidência de Angola, e os “laços” entre ambos os países manter-se-ão. João Lourenço foi infantil.

João Lourenço e a elite Angolana, sabe que Portugal, “retirou” muitos bens de Angola, mas também sabe, que deixou muitas infraestruturas, e tinha uma população portuguesa disposta a viver em Angola, fazendo-a crescer.

Os seus amigos Chineses, Russos e outros de hoje, estão a fazer o mesmo? Não. Sabe bem que não. Sabe bem que apenas o que lhes interessa é sacaram tudo o que puderem de Angola. Nada mais. Depois saem de mansinho e nem dizem adeus.

Portugal foi colonizador, com tudo o que isso implica, mas os portugueses, adoptaram essa terra como sua e como tal ganharam raízes e queriam acima de tudo o progresso e o bem de Angola, fosse para negros ou para brancos.

A História ainda não acabou… Presidente João Lourenço.